Archive for Maio 2014

A ARTE EXPOSITIVA DE JOÃO CALVINO - S. LAWSON

 
Desde os tempos apostólicos, a mensagem pura do evangelho de Cristo, foi gradualmente distorcida, e até mais que isso, foi reinventada. Séculos e mais séculos se passaram, e o desagradável resultado deste maculoso processo, foi um enorme e lamentável distanciamento dos ensinos de Cristo.
Até que, em 31 de Outubro de 1517, à porta da igreja de Wittenberg, Martinho Lutero, publicou suas famigeradas 95 teses, que refutavam e questionavam diversos pontos, da então confusa e herética doutrina da Igreja Católica Medieval. Este foi o primeiro grito de uma grande reforma que estava para acontecer, grito que ecoou na Suíça  com a vida, a obra e legado do reformador de Genebra, o principal arquiteto da causa Protestante, o francês da pacata cidade de Noyon, João Calvino.
No livro ‘A Arte Expositiva de João Calvino’, o autor Steven J. Lawson, lançado em 2012 pela a Editora Fiel,  se propõe a discorrer sobre a história de vida do reformador, e disponibiliza ao longo de seus oito capítulos, um visão panorâmica da pregação expositiva de Calvino, analisando-a sob 32 perspectivas. É um pequeno e sucinto curso de Homilética prática. A leitura do livro, é muito empolgante e tocante, pois conforme avançamos as páginas, somos confrontados pelo testemunho e posicionamento de vida e ministério, de um homem que viveu em uma época extremamente desafiadora para Igreja, e lutou com afinco, em defesa dos verdadeiros princípios do evangelho, se dedicando ao estudo exaustivo e a contínua pregação das Escrituras até os últimos dias de sua vida.
‘Um perfil de homens piedosos’, é assim que é nomeada por Lawson e Douglas Bond (autor do Livro sobre John Knox), a coleção que narra introdutoriamente a vida e obra de João Calvino, John Knox, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, Martinho Lutero e George Whitefield, homens que servem como referência de seriedade e comprometimento na exposição das Escrituras.
Quase cinco séculos se passaram, desde a Reforma Protestante, e vivemos em nossa época, dias igualmente críticos, em que têm se pregado múltiplos evangelhos, e em que por muitas vezes a simples e pura exposição das Escrituras não são mais suficientes. Considero a leitura destes livros, de suma importância, para que sejamos incentivados a refletir sobre a complexidade e magnitude do compromisso que é o de se propor a pregar a Palavra de Deus.
Ser confrontado à necessidade, de sermos os baluartes da autêntica mensagem de Cristo, através do exemplo de homens piedosos e realmente comprometidos, como João Calvino, é para mim, o que ficou como lição, após a leitura desse livro. Existe uma urgência em nosso tempo, que se levantem cada vez mais, homens zelosos na pregação das Escrituras.
Destaco algumas citações, encontradas no livro:

·         “A igreja sempre busca métodos melhores para alcançar o mundo. Entretanto, Deus procura homens melhores, devotados ao método bíblico para o avanço de seu reino.” Steven J. Lawson

·         “Devemos às Escrituras a mesma reverência que devemos a Deus, porque elas procedem somente dele, e não há nada do homem misturado a elas.” João Calvino


·         “Uma assembleia na qual não se ouve a pregação da doutrina sagrada não merece ser reconhecida como igreja.” João Calvino.

  Que Deus nos dê graça e nos capacite para sermos eficazes na defesa e exposição das Escrituras, que o SENHOR nos faça reformadores deste tempo, para que possamos viver de fato, a plenitude da proposta do evangelho. Recomendo a leitura desse livro, e desta ótima coleção, pois conhecer os expoentes da reforma, sua influência e contribuição, é indispensável para a formação de nosso conhecimento sobre a História da Igreja de Cristo aqui na terra.

Até a próxima!

Em Cristo,

Carlos Magno R. Leal
                                                                                       
                                                                           




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RENÚNCIA, UMA GLORIOSA CAMINHADA!


Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; 
Mateus 16:24

Vivemos em tempos extremamente secularizados e infectados por uma nova forma de ouvir e de servir a Jesus Cristo, a cada esquina é possível encontrar um discurso cada vez mais próximo de nossos interesses pessoais e, proporcionalmente mais equidistantes das primícias do genuíno evangelho. É necessário estar atento, é indispensável a prática de uma constante reflexão: Que tipo de cristão eu sou? O que realmente é importante para mim? O que eu tenho renunciado?
Sei que o evangelho da renúncia, da atenção inquestionável a opinião de Deus e a incessante busca pelo desejo auspicioso pelo crescimento de seu Reino, antes de minhas próprias convicções e ideais, não enche templos grandiosos, não atrai a atenção da mídia e muito menos volumosas ofertas, mas é exatamente esse o evangelho proposto por Jesus Cristo, e é esse, apenas esse evangelho, que te levará ao céu, que te proporcionará a Salvação Eterna.
Ame a Deus acima de todas as coisas (Marcos 12:30), não pelo o que Ele pode te oferecer, mas sim pelo o que Ele é, ponha de fato em prática as palavras de Jesus Cristo, (não apenas as admire!) observando os seus ensinamentos, atentando para o que Ele realmente diz na Escritura, desprezando o que você gostaria de ouvir ou entender, mesmo que isso te leve por vezes a caminhos de solidão e a profundos questionamentos. Que o Espirito Santo de Deus nos auxilie e nos dê forças para esta, que sem dúvidas é uma dolorosa caminhada, porém gloriosa e que nos leva sem escalas rumo a Sião!  

Esta é a minha oração, até a próxima! 

Em Cristo,


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NO PRINCÍPIO - E.H. ANDREWS


Lançado pela a Editora Fiel em 2003, o livro ‘No princípio’ do professor inglês E. H. Andrews trata-se de uma leitura leve, extremamente didática e de uma linguagem bastante acessível aos mais variados públicos de diversas faixas etárias, apesar de abordar temas científicos. Ideal para quem está iniciando os estudos sobre estas questões, a obra se posiciona como um ótimo manual intuitivo, que lhe proporcionará uma base argumentativa sólida em relação à perspectiva darwiniana, e os seus pilares aparentemente intransponíveis.
As maiores perguntas da humanidade: Quem nós somos? De onde viemos? Para onde vamos? Perguntas que atravessaram os séculos sem respostas satisfatórias, e que em nossa cética sociedade atual, ganham diariamente os holofotes da demasiada pesquisa cientifica. Para muitos, os argumentos da Ciência são mais que satisfatórios, vemos em nossos dias, o surgimento explosivo de novos ateístas, que se agarram com afinco à alternativa cientifica e se tornam verdadeiros ‘pregadores’ e ávidos defensores das propostas estabelecidas pelo famigerado naturalista Charles Darwin, em sua célebre obra, ‘A origem das Espécies’, datada de 1859.
           A teoria do Big Bang e a da Evolução vêm sendo ensinadas como as mais satisfatórias alternativas para a explicação da origem do universo e da vida, apesar de suas muitas falhas, questões não respondidas, e elos perdidos. Para milhões de pessoas, é preferível acreditar que tudo surgiu simplesmente acidentalmente, e a plausível improbabilidade da ocorrência, das inúmeras coincidências necessárias ao surgimento da vida e do cosmos, é meramente esquecida, pois para os naturalistas, até mesmo o improvável acontece, se lhe for dado tempo suficiente, e como os evolucionistas trabalham com bilhões de anos, isto não é lá grande problema, não é mesmo? O fato é que, esse panorama vem mudando e muito nos últimos anos. Tem surgido um grande número de cientistas que não mais concordam com as supracitadas teorias, sua lógica e argumentação.
            Para nós, cristãos, as perguntas com as quais iniciei este texto, não trazem nenhuma perturbação ou inquietação, elas são satisfatoriamente respondidas na Escritura Sagrada, pois ela afirma que nós viemos de Deus, somos criaturas à Sua imagem e semelhança, e estaremos para sempre com Ele. Mas até que ponto, podemos adequar o posicionamento e versão bíblica da Criação aos argumentos científicos? Até que ponto a ciência e a fé concordam? Elas concordam? É possível ser cristão e evolucionista? A meu ver, para esclarecer estas questões à luz da Bíblia, foi que o professor E. H. Andrews, que é cientista macromolecular, se propôs a escrever esta empolgante obra.
É de necessidade urgente da Igreja de Cristo, estar preparada para refutar e rebater, através de um diálogo sensato e abalizado pelas Escrituras, sobre temas controversos como o histórico embate entre Evolução e Criação, e para atender a esta questão tão importante, o livro de Andrews, é um começo que eu recomendaria. 


Até a próxima! 

Carlos Magno
                                                                                               


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A CABANA - WILLIAM P. YOUNG

   O livro ‘A Cabana’, clássico literário do canadense William P. Young, lançado pela a Editora Arqueiro em 2007, tornou-se conhecido no mundo inteiro. Na verdade até bem pouco tempo atrás, era de se estranhar alguém não ter lido o livro ou sobre ele. Foi realmente um sucesso, a obra de Young, que segundo ele, inicialmente não tinha objetivos comerciais, se tornou um dos títulos mais vendidos dos últimos tempos, encabeçando a famosa lista dos livros mais vendidos do ‘The New York Times’, conquistando um público eufórico e fascinado, de diversas nacionalidades. Bem, as características que acabo de citar, foram as que me fizeram adquirir o livro, eu estava muito curioso em conhecer a história que havia emocionado milhares de pessoas, em diversas partes do mundo.
            Iniciei a leitura cheio de expectativas, a história do livro é realmente encantadora e emocionante. Tudo começa quando o personagem principal da história, Mackenzie Allen Philips, ou simplesmente ‘Mack’, como é chamado durante toda a narrativa, recebe em sua caixa de correio uma mensagem datilografada, supostamente escrita por Deus (Papai), o convidando para passar o final de semana em uma cabana. Cabana esta, que até este momento para o leitor, não faz o menor sentido, mas que com o desenrolar dos primeiros capítulos, fica evidente que é um lugar bastante embaraçoso para Mack, pois fora ali que sua filha Missy, encontrou a morte, sendo assassinada por um maníaco em série. Apenas lembrar-se daquele local gerava na mente de Mack, uma tenebrosa cena de horror e, ir até o local novamente, para ele seria uma experiência impensável.
         Desde o traumático dia da perda de sua filha, Mack de alguma forma sentia-se culpado por tudo o que ocorreu, a isto o autor chama de a ‘Grande Tristeza’ e, de certa forma essa foi um combustível decisivo na decisão de Mack em enfrentar os seus medos e voltar à temida cabana.
         Até este momento, estava eu, muito empolgado com o livro, a vontade exacerbada de descobrir o que havia na cabana, realmente é empolgante, porém é exatamente a esta altura da história que os meus conceitos sobre a trama, começaram a declinar. Em meados do 5º capítulo, a narrativa toma um rumo totalmente inesperado, um rumo onírico, fantasioso, fantástico. De fato, o bilhete vinha de Deus para Mack, o que particularmente eu não esperava que fosse ocorrer, queria eu, que minhas surpresas parassem por aí.
            O aflito Mack tem um encontro com a ‘Trindade’, o Pai, representado no livro por uma negra, o filho Jesus, que no livro é apenas um homem hebreu meio atrapalhado, e Sarayu que é um tipo de energia ou uma mulher asiática, não consegui definir bem, que é a representação do Espírito Santo. Confesso que tomei o meu primeiro choque com o livro aí, mas por teimosia quis ponderar, pois tudo era apenas uma ficção, no entanto, quanto mais avançava as páginas, um questionamento crescia forte dentro de mim:
          
É a Teologia que está a serviço da fantasia, ou a fantasia que deve estar a serviço da Teologia? Quem deve se moldar, quem deve se sobressair?

         Foi a partir desta auto indagação que comecei uma leitura mais paulatina do livro, analisando minuciosamente cada diálogo e afirmações expostas como verdades na obra. A partir do 6º capítulo, o livro é uma sucessão de diálogos de Mack com os três integrantes da Trindade, o objetivo destes diálogos são tratar a ‘Grande Tristeza’, que está enraizada no coração de Mackenzie. Com o passar dos capítulos, uma a uma, todas as áreas da vida dele vão sendo ‘curadas’, e diversos conceitos que Mack tinha como verdadeiros e indiscutíveis sobre a pessoa de Deus são quebrados, e é exatamente no estabelecimento destes paradigmas, e nos processos utilizados por Young para gerir a restauração de Mack, que o livro apresenta erros teológicos catastróficos.
                  Qualquer pessoa com um conhecimento raso das Escrituras Sagradas, conseguiria refutar e rejeitar com um olhar mais atento, os posicionamentos apontados como bíblicos em ‘A Cabana.’ O grande problema, é que a história é tão emocionante e bonita, e o leitor fica tão “encantado” e, extasiado com o ‘deus’ que ele pensa estar conhecendo, que nem leva em consideração tais inconvencionalidades. São conceitos deturbados sobre a Trindade, a divindade e humanidade de Cristo, o juízo e onisciência de Deus, sobre o pecado e não para por aí, a obra desqualifica a Igreja como coluna e baluarte da verdade, como se não bastasse, há a ocorrência de Espiritismo, quando Mackenzie tem a oportunidade de se encontrar com a filha morta, e até mesmo com o seu pai que perdera há anos, para em um mundo paralelo obtêm o perdão dele, que o faz se sentir mais leve e próximo de Deus, entre outras diversas deslealdades as verdades inerrantes da Bíblia Sagrada. Quem estiver interessado em conhecer mais a fundo os perigos teológicos presentes “nesta cabana”, dê uma lida neste artigo do Tim Keller, e neste do Mark Driscoll, publicados no blog Voltemos ao Evangelho.
            Realmente não sei como este livro fez tanto sucesso entre a comunidade Cristã, para mim, a venda estratosférica de ‘A Cabana’, apenas demonstra a falta e a precariedade do discernimento Bíblico e Teológico da Igreja em nossos dias, igrejas cheias de pessoas que se interessam por um Deus aos moldes do ‘deus’ enfocado por Young, um ‘deus’ que se dobra aos desejos humanos, que não nos recrimina, apenas nos aceita, sem fazer perguntas, um ‘deus’ essencialmente não bíblico.
         Não precisamos de nenhuma outra literatura para nos ensinar quem é o Senhor, o que Deus é, o que ele faz e como ele nos ama, a Bíblia Sagrada é extremamente suficiente para nutrir toda a nossa sede de conhecer e se relacionar com Deus, não estou dizendo que não existam outros títulos de qualidade, de uma teologia ilibada, com os quais também possamos aprender sobre Jesus Cristo e o seu Evangelho, porém todos estes deverão passar pelo crivo dos posicionamentos bíblicos, processo este que a meu ver, o livro do William P. Young, foi esmagadoramente reprovado.
           
 ‘A Cabana’, realmente não é um livro que eu indicaria, mas se você tem desejo de ler, vá em frente, até porque para criticar algo ou alguém, você tem de conhecer a fundo, porém durante a leitura, tenha sempre uma Bíblia nas mãos, discernimento apurado e uma boa orientação teológica.

Sem mais,

Até a próxima semana!

Carlos Magno.

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Carlos Magno Roque Leal . Tecnologia do Blogger.

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